Uma das manchetes da Folha Online hoje é: “Greve de professores foi campanha anti-Serra, diz procurador-geral”
Uau!
Eu disse isso neste Blog, tão logo a greve foi noticiada. Deixei claro que era armação e que não se pode confiar na pelegada que se propõe a fazer greve por professores ou outros funcionários públicos.
Greve de funcionário público é uma contradição em termos. Greve pressupõe um patrão que vai amargar um prejuízo: é a greve dos bancários, a dos ferroviários, a dos industriários. Greve de funcionário público, pelo contrário, significa que o público, a população, é que vai ser punida. Não existe um patrão, um dono de capital sendo pressionado..
A reportagem da Folha se refere a um parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral, segundo o qual a “greve organizada pelo sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, em março, teve caráter de ‘propaganda eleitoral antecipada negativa’ contra o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra”.
O texto do Procurador recomenda ao tribunal “a aplicação de muta ‘no valor máximo’pela ‘gravidade da conduta’ da Apeoesp e da dirigente, Maria Izabel Azevedo Noronha.”
Eu preferia que tivesse me enganado, que tivesse feito um julgamento precipitado e injusto.
Infelizmente não.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
PINGUÇOS... UNIDOS... JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
Nesta semana tétrica, realmente a única notícia divertida foi a da greve na Cervejaria dinamarquesa.
A Carlsberg, desde mil, oitocentos e antigamente, tem a tradição de deixar seus empregados consumirem sua cerveja a qualquer hora do dia, mesmo durante o expediente. A fábrica tem geladeiras espalhadas pelo seu interior com água, refrigerante... e cerveja.
A direção resolveu acabar com isso: o consumo de cerveja só seria permitido durante o horário do almoço. A peãozada não titubeou: greve na cervejaria.
Solidariamente, interrompo este noticiário para beber uma latinha. De Skol, que uma marca de propriedade da Carlsberg.
A Carlsberg, desde mil, oitocentos e antigamente, tem a tradição de deixar seus empregados consumirem sua cerveja a qualquer hora do dia, mesmo durante o expediente. A fábrica tem geladeiras espalhadas pelo seu interior com água, refrigerante... e cerveja.
A direção resolveu acabar com isso: o consumo de cerveja só seria permitido durante o horário do almoço. A peãozada não titubeou: greve na cervejaria.
Solidariamente, interrompo este noticiário para beber uma latinha. De Skol, que uma marca de propriedade da Carlsberg.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
BELO HORIZONTE
As mãos do fantasma
tendem a ficar desfocadas
e trêmulas.
Paroxisticamente fora de foco
e trêmulas,
quer quando postas em oração,
quer nos gestos obscenos,
quer nos acenos de adeus.
As mãos do fantasma
têm os dedos meus.
tendem a ficar desfocadas
e trêmulas.
Paroxisticamente fora de foco
e trêmulas,
quer quando postas em oração,
quer nos gestos obscenos,
quer nos acenos de adeus.
As mãos do fantasma
têm os dedos meus.
REAGAN E EU
Em 1994, Ronald Reagan anunciou pessoalmente aos Estados Unidos que estava com Alzheimer. Ele tinha 84 anos de idade e ainda viveu mais 10 anos.
Confesso que fiquei bem impressionado: o sujeito recebe esse diagnóstico e, com a lucidez que ainda lhe resta, vai aos meios de comunicação cientificar sua nação – que havia governado durante oito anos. E aproveitou para pedir que os futuros governantes e os políticos em geral trabalhassem por maiores investimentos na pesquisa de um tratamento eficaz para essa doença.
É claro que é um gesto que também pode ser interpretado como um pedido de desculpas antecipado, pra evitar pagar mico: olha, se vocês me virem fazendo alguma besteira é porque estou com Alzheimer, em meu perfeito juízo eu não faria isso... De qualquer maneira, eu enxergo alguma grandeza nesse gesto.
Eu ainda não estou anunciando que estou com Alzheimer, mas estou me preparando para fazer isso. Sempre tive uma memória sofrível, para não dizer nula, mas ela piorou muito com a hipoxemia que sofri no pós-operatório da cirurgia na coluna – depois eu conto isso em detalhes, que me foram passados pela minha memória auxiliar, a Ana.
Por exemplo, agora mesmo, tive que esperar uns dez minutos até lembrar o nome de Reagan. Eu visualizava sua imagem, lembrava do papel que ele representou na economia mundial – mas não lembrava o nome dele.
Tomei a decisão: vou procurar um neurologista para verificar se minha hipótese clínica se confirma ou não. Se for confirmada, os dois ou três leitores deste blog serão notificados em primeira mão.
SIRI E BACALHAU
Decidiu-se(1) que hoje vamos almoçar frigideira de siri conjuntamente com o bacalhau que a Rosane -- minha sobrinha, afilhada e nora -- está preparando.
Eu sou fissurado em frutos do mar, mas lembro que, quando era jovem, nas sextas-feiras ditas santas, eu fazia questão de comer um suculento filé, de preferência em um restaurante. O objetivo subjacente era propagar meu desprezo pelas tradições cristãs. Hoje eu não estou nem aí. É pra comer bacalhau, eu como, tudo bem.
Não estou certo de que essa atitude seja a mais correta filosoficamente. Há ateus que defendem a tese de que os ateus deveriam ser mais atuantes, mais explícitos na defesa de suas convicções.
Mas, como diria alguém(2): a velhice é uma merda...
(1)Sempre que eu não identificar quem praticou a ação, subentenda--se que estou me referindo à Ana. Por exemplo, onde se lê “decidiu-se”, leia-se “a Ana decidiu”.
(2)E se ninguém disse, digo eu agora.
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