Em 1994, Ronald Reagan anunciou pessoalmente aos Estados Unidos que estava com Alzheimer. Ele tinha 84 anos de idade e ainda viveu mais 10 anos.
Confesso que fiquei bem impressionado: o sujeito recebe esse diagnóstico e, com a lucidez que ainda lhe resta, vai aos meios de comunicação cientificar sua nação – que havia governado durante oito anos. E aproveitou para pedir que os futuros governantes e os políticos em geral trabalhassem por maiores investimentos na pesquisa de um tratamento eficaz para essa doença.
É claro que é um gesto que também pode ser interpretado como um pedido de desculpas antecipado, pra evitar pagar mico: olha, se vocês me virem fazendo alguma besteira é porque estou com Alzheimer, em meu perfeito juízo eu não faria isso... De qualquer maneira, eu enxergo alguma grandeza nesse gesto.
Eu ainda não estou anunciando que estou com Alzheimer, mas estou me preparando para fazer isso. Sempre tive uma memória sofrível, para não dizer nula, mas ela piorou muito com a hipoxemia que sofri no pós-operatório da cirurgia na coluna – depois eu conto isso em detalhes, que me foram passados pela minha memória auxiliar, a Ana.
Por exemplo, agora mesmo, tive que esperar uns dez minutos até lembrar o nome de Reagan. Eu visualizava sua imagem, lembrava do papel que ele representou na economia mundial – mas não lembrava o nome dele.
Tomei a decisão: vou procurar um neurologista para verificar se minha hipótese clínica se confirma ou não. Se for confirmada, os dois ou três leitores deste blog serão notificados em primeira mão.

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